quinta-feira, junho 08, 2006

Eu mordi o "isco"!

E venho, desde já, apresentar um pedido de desculpas público a todos os contribuintes que, com os seus impostos, investiram na minha formação.
A
Provavelmente, seriam todos merecedores de algum retorno do vosso investimento, com o fruto do meu trabalho.
A
No entanto,...
A
... a Exma Sra Ministra da Educação, (aka Milú-100-sorrisos), com as suas últimas decisões e declarações, e Sua Excelência, Senhor Primeiro Ministro (aka Foddy), com o apoio público que lhe manifestou, acabaram por me convencer a ir dar esse retorno num outro país.
A
Talvez a intenção destes dois senhores (mas agora com minúscula) seja esta mesma: escoar o maior número de pesooas diferenciadas para a emigração, para poderem dar cumprimento às suas promessas de diminuir as taxas de desemprego, principalmente dos jovens recém-licenciados, actualmente (também) sem perspectivas de futuro.
A
Pois eu, mordi o "isco" e vou! Triste, mas vou! Mas quando fôr, vou fazer questão de "bater com a porta"!
A

A propósito, para vos fazer rir um pouco, no meio desta tristeza toda, hoje recebi um SMS que dizia o seguinte:

"Na Índia, as Vacas são um animal sagrado; na Inglaterra, são loucas; em Portugal, são ministras!"

A

;o) The LBug

3 Comments:

Blogger Rui said...

Não, TheLBug, quase ninguém percebe neste país que a maneira como a ministra se refere aos professores só serve para afastar os mais dignos, os mais capazes, os mais competentes.
No ensino vão acabar por ficar os "monos"
(do dicionário:
indivíduo feio e estúpido;
mercadoria que não tem venda;
boneco de trapos;
adj., desgracioso;
pouco falador;
sensaborão;
macambúzio)
e eu, que não tenho (ainda!) a tua coragem, vou ser um deles!

10/6/06 18:08  
Blogger Amélia said...

...em relação às vacas: é injusto para as vacas -tão generosas que até nos dão o leite, a pele, a carne...-:)

13/6/06 10:18  
Anonymous inconformada said...

Apesar desta onde de calor, sinto um certo “frio” que pouco a pouco se vai instalando em mim … Uma colega decidiu, e bem, abandonar este país e partir para bem longe…Austrália.
Aprendi muito cedo que existem dois tipos de transeuntes no nosso caminho: uns passam sem deixar marcas e depressa os esquecemos, outros, talvez por terem uma personalidade forte, tornam-se companheiros durante uma estação da nossa viagem. Estes últimos não são consensuais: ou se gosta deles ou não se gosta, não existe meio-termo. Eu, como não gosto do “nim”, quero deixar aqui o meu profundo apreço e a minha admiração por esta colega.
Joana, acredita vamos sentir a tua falta.
Talvez, pareça absurdo ser eu a dedicar-lhe este poema de Pablo Neruda. A nossa relação é recente mas gostaria de transmitir a todos os colegas o quanto a nossa escola vai perder com a sua partida. Gosto de pessoas como ela que são exigentes com elas próprias e com os outros, de pessoas corajosas, lutadores, insatisfeitas, perseverantes, profissionais…
São sempre os bons profissionais que perdemos…porque será?
Este poema é para esta colega que decidiu não morrer lentamente…mas talvez, todos nós possamos retirar dele uma gota/ gotinha ou uma chuva de gotas para nos refrescarmos nesta noite calorosa de sexta-feira.



“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

PABLO NERUDA

14/7/06 23:29  

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