domingo, maio 28, 2006

Alterações ao ECD e avaliação dos professores feita pelos pais

Não são os pais que são incompetentes

(para quê insultá-los, chamando-os de incompetentes? Há alguém que goste de ser chamado publicamente de incompetente? Mesmo que com razão?)

É A PROPOSTA QUE É IMBECIL!

Como seria também se os contribuintes avaliassem os funcionários das finanças que recebem e aprovam ou não as suas declarações de impostos, ou os empreiteiros os fiscais das suas obras, ou os réus os juízes que os julgam, etc, etc, etc!!!

É que há uma coisa que se chama "conflito de interesses".
Este conflito existe
(esta explicação é para os ignorantes do governo - de facto numa coisa lhes dou razão: o sistema educativo que os formou é uma miséria!)
por exemplo, quando há uma relação em que a parte que avalia é interessada directa no resultado da actividade avaliada.
Ou ainda quando haja uma relação de litígio com a entidade de quem recebe os serviços.


A proposta é de tal modo cretina e demagógica que só pode ter 3 objectivos:
1º, Desviar as atenções de outras propostas realmente penalizadoras para os professores (por exemplo, funções atribuídas - 21 para o professor normal, em que cada uma é todo um programa; 29 para o professor titular... nem o Superhomem! Ou ainda aumento da carga lectiva para os professores mais velhos e para o secundário; ou uma progressão mais lenta; etc).
2º, Vir a servir como moeda de troca para a(s) medida(s) que o governo quer ver realmente aplicadas.
3ºFazer subir a popularidade do governo junto dos pais, ao mesmo tempo que coloca mal os professores (e estes estão a cair direitinhos na armadilha ao hostilizarem os pais em vez de combaterem simplesmente a proposta de alteração da carreira).


Adenda irónica:
(ou talvez nem tanto)
Imaginemos que eu era professor do filho de um dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça que considera «lícitos» e «aceitáveis» castigos físicos - como palmadas e estaladas - e que não as dar pode configurar "negligência educacional".
Irei ser avaliado negativamente por não aplicar uns valentes sopapos nos alunos?


P.S. IMPORTANTE:
Vão ao Aragem responder ao pedido:
"Venho fazer-vos um pedido, que é simultaneamente um desafio. Conseguiriam fazer-me chegar até amanhã, o mais tardar fim da tarde - 19 horas, anotações sobre os aspectos que consideram mais críticos nesta proposta de ECD [ver aqui](...) e, se tiverem, sugestões de alteração?
Há uma hipótese real de as fazer chegar mais longe, exactamente onde interessa que cheguem... Neste momento não posso dizer mais do que isto.
É uma oportunidade que temos de aproveitar. É preciso combater inteligentemente este absurdo.
Abraço a todos"

8 Comments:

Blogger henrique santos said...

As "novas" propostas para o Estatuto do Professores.

Tal como se esperava as propostas de alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD) centram-se em duas questões base: a introdução de uma carreira hierarquizada e a avaliação dos professores. Nada de novo para quem já cá anda há uns anos. É bom recordar que já tivemos a famigerada candidatura para estrangular o acesso aos últimos escalões e que foi a luta dos professores que a retirou do ECD. É bom também recordar que houve tentativas para que a carreira de professores fosse hierarquizada em três níveis. Isso nunca passou devido à luta dos professores em torno da Fenprof, com greves na ordem dos 90%. Outros sindicatos, na altura, defendiam os três níveis de professores, com componentes funcionais diferenciadas, como é agora o caso com dois tipos de professores.
Ao ter lido apenas uma vez o documento, surgem-me já as seguintes reflexões que explicito:
Estrategicamnte o que se pretende é:
-introduzir uma carreira hierarquizada, com estrangulamentos na sua progressão;
-Uma avaliação competitiva que vai colocar professores contra professores.
Tacticamente registo a clássica manobra do "dividir para reinar", com a equiparação a titular dos actuais colegas no 9.º e 10. escalões, com vagas a extinguirem quando vagarem. O Ministério alicia os actuais colegas desses escalões, para serem apoiantes dentro da classe nesta hierarquização, para conseguirem obter os resultados esperados ao final de alguns anos: poupar dinheiro e controlar os professores, colocando-os num papel de confonto interno directo.
A outro nível de análise diria que:
-Apresentam algumas questões menores, tácticas, que deixarão cair a pouco e pouco, para dizerem que negociaram;
-fazem tábua rasa de expectativas de carreira e de usufruto de direitos que os actuais professores na carreira, mesmo com muitos anos, tinham;
-fazem por esquecer os processos anteriores ligados ao ECD (a candidatura no 7º escalão ressuscitada);
-na avaliação dos profs, colocam no professor individual a responsabilidade pelos resultados, insucesso e abandono dos alunos, escamoteando o papel do aluno, da escola, das famílias e da sociedade;
-insultam a inteligência de qualquer pessoa, quando acenam com a apreciação dos pais na avaliação dos professores;
-inflacionam os deveres dos professores. Vão de a a v, só falta o x e o z. (Vem a propósito o discurso recente do António Nóvoa);
-deixam para trás todas as regulamentações atrasadas que não lhes interessam. Não produzem nada de direitos a não ser os prémios de "produtividade" a regulamentar;
-deixam muita coisa por regulamentar, o que, como nós sabemos, pode querer dizer, adiamentos enormes ou saída de arranjos mais agravados via regulamentação do que se poderia supor no texto base.
Há muito trabalho de luta a fazer para quem não concorda com estas propostas. Quem está nesta posição tem de se consciencializar de que não vai ser fácil e que só o seu empenhamento na discussão e na consequente luta, promovida pelos sindicatos que representam essa oposição, é que pode dar resultados.
Para os sindicatos deixo a sugestão de fazerem um esforço por refrescar a memória da luta pelo ECD e seus recuos e avanços no passado. E por envolverem consequentemente os professores em todos os processos que esta revisão requer.

28/5/06 12:25  
Blogger JP said...

Alguma notas sobre o doc do ME:
1) Fim da carreira única: a de "prof. titular" será uma miragem para a maioria, mas a cenoura que alguns poderiam querer comer.

2) Exame de acesso à profissão: demissão do ME da avaliação do E. Superior e resolução do problema estatístico do desemprego.

3) Escalões de 6 anos: em cada 2 novos escalões há um dos actuais que se foi.

4)...
5)...
Nem sei o que dizer mais...
Vou lutar!
Até já!
JP

28/5/06 16:19  
Anonymous Anónimo said...

O problema não é nenhum, são todos: e não se pode exterminá-lo(s)????
A quem? A todos!!!!!!!
Obviamente que somos nós que temos a responsabilidade de a selecção ter perdido, do calor que está, somos nós que incendiamos matas e florestas e baldios e que consequentemente pomos a nu a incompetência que tivemos ao (não)ensinarmos nada aos bombeiros.
quando há meia dúzia de naos ao perguntarmos a algum aluno sobre o que era o 25 de Abril, a resposta era titubeante, entaramelada, mas na pior das hipóteses surgia uma revolução feita , na ior das hipóteses pelo Caetano.
Hoje a resposta é : não sei nem me interessa! É feriado, prontos!E a culpa continua a ser nossa. PQP

28/5/06 16:35  
Blogger Assobio said...

Aceitar a possibilidade de vir a ser avaliado por quem não tem competência técnica, científica ou pedagógica para o poder fazer é assumir a insignificância, a indignidade e a mediocridade da profissão docente.

29/5/06 14:28  
Anonymous Anónimo said...

a avaliação pelos pais é um aspecto que o indocência desmonta muito bem: conflito de interesses. sabemos que no ME não primam pelo respeito democrático nem pela ética (lembram-se do nº de faltas dos profs divulgado em pleno conflito?). mas é tão óbviamente estúpido, que nem sei o que pensar. quanto aos sindicatos, é em parte graças a eles que estamos encostados à parede. tívessemos nós um sistema de avaliação como deve ser, que não premiasse indiscriminadamente todos, e não estaríamos agora nesta situação. mas os sindicatos sempre pugnaram pelo facilitismo e pela igualdade na mediocridade. só nos falta agora que proponham outra greve de 6ª feira ou aos exames!

29/5/06 17:57  
Blogger zoltrix said...

Ah! Como é bom ser-se lúcido!
É por sermos( termos alguns...) esta lucidez que somos para abater...!

2/6/06 00:47  
Anonymous Anónimo said...

O problema é partir do princípio (que a prática incorrecta dos últimos anos trouxe) que a carreira docente, de base, prespassa todos os eslcalões.
Ou seja, que todo o soldado chega a general...
Não é nem pode ser assim.
Os prefessores partem tdos da mesma base. Os melhores evoluem. E, alguns lá chegarão ao topo.
E não isto que está errado. Era o sistema anterior que estava. A progressão é um prémio ou a não progressão um castigo...
Agora, progressão para todos...

5/6/06 00:03  
Anonymous Allien said...

Senhores professores assumam as responsabilidades que lhes foram confiadas.
Não pensem só em dinheiro.
Olhem para o país que temos.

7/6/06 13:56  

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