quinta-feira, setembro 15, 2005

2ª ideia orientadora

A principal qualidade de um bom professor é o Amor pelos seus alunos.
Para já, porque acredito que, com esta qualidade, o professor nunca perde o interesse em desenvolver todas as outras.
Mas há uma razão que considero ainda mais importante.
Onde não há Amor floresce o medo, ou cria-se um terreno fértil onde o medo pode surgir e ganhar forças. E resultam, por isso, duas consequências graves:
1ª: Se o aluno tiver medo a sua inteligênca paralisa. Além disso, esconde do professor as suas dificuldades e este fica, assim, impedido de o ajudar. Ou seja, sem o Amor do professor a dificuldade de aprender do aluno provoca a dificuldade de ensinar do professor. Se nos lembrarmos que podem estar 25 alunos nestas condições o cenário é de pesadelo... e não só para os alunos!
2ª: Muitas vezes responde-se a um ambiente de medo com agressividade. Portanto, a agressividade do professor origina nos alunos também agressividade, mesmo que não expressa como tal. Então como? Sendo o principal objectivo do professor ensinar, o aluno agressivo responde quer recusando-se a aprender, quer tentando impedir o professor de ensinar, dois dos principais problemas que surgem na sala de aula.
É claro também que há alunos que já trazem de casa essa agressividade. Mas, ainda assim acredito que a melhor estratégia é o Amor. Porque qualquer outra só irá agudizar essa raiva, mesmo que a esconda.

O que entendo por Amor aos alunos? Uma atitude persistente de respeito, atenção, gentileza e alegria para com eles.
(Lembro-me de ser criança e do tanto que eu necessitava que me tratassem assim!)

9 Comments:

Blogger Miguel Pinto said...

Chamaste-lhe Amor eu chamar-lhe-ia Cuidado talvez por pudor excessivo. Mas não lhe noto diferenças na carga emotiva que lhe subjaz.

15/9/05 22:28  
Blogger AnaCristina said...

Sabes... conheço o caso de um professor que adorou os seus alunos mas que por ser qzp se teve que mudar pra outra escola, deixado muitas saudades. A efectiva que agarrou nessa turma de 12ºano, que sempre invejou o colega, o seu trabalho e a sua relação com os alunos, ameaçou os alunos que, se falassem com o dito professor, tinha o ano chumbado. Isto no 12ºano! E eu acredito na história porque conheço as duas pessoas em causa.

No passado ano lectivo, conquistei um aluno muito complicado difícil quando comecei a tocar-lhe (com todas as consequências que isto pode acarretar); a falta de carinho de que ele sofria foi curado com Amor.

Há Amor na escola... mas há tanta, tanta inveja.

17/9/05 01:31  
Blogger IC said...

O meu comentário não entrou e eu esqueço-me sempre de fazer um copy a prevenir isso. Vou tentar repetir.
O Rui chamou-lhe Amor, o Miguel Pinto optou por Cuidado, mas como eu (como prof de Mat, que julgo que o Rui tb é) vou destacar um extracto, chamo-lhe, no caso, pelo menos dever profissional - "Se o aluno tiver medo a sua inteligênca paralisa. Além disso, esconde do professor as suas dificuldades e este fica, assim, impedido de o ajudar". Não deve haver disciplina em que o aluno tenha mais dúvidas e precise de dizer mais vezes "ainda não percebi" do que em Matemática. O meu 1º empreendimento com uma turma nova é tirar a ideia de que o "não percebo" é inferiorizante - e, para a tirar, tem que ser um empreendimento convicente, bem comprovado (não havendo ainda tempo para ter um exemplo na turma, conto-lhes casos verdadeiros: "o melhor aluno era o que constantemente dizia ainda não percebi bem" e explico isso).
Rui, não estou a ser redutora do teu artigo global, que subscrevo como 2ª ou como "outra 1ª ideia orientadora". Saliento isto pq respeito, não agressividade, eliminação de medo, fazem parte dos professores que têm AMOR aos seus alunos, mas sei que este CUIDADO específico (ou sensibilidade)escapa a alguns profs de Mat de quem os alunos não têm medo, mas têm um preconceito sobre o "não percebi".

17/9/05 04:38  
Blogger Rui said...

Miguel, gosto dessa palavra... Cuidado. Sim, é uma ideia que inclui a minha e que, ainda por cima, lhe dá um "toque" de acção que pode faltar na de Amor (muito conotado com sentimento). Vou inclui-la no meu léxico pedagógico, obrigado.

18/9/05 15:42  
Blogger Rui said...

Ana Cristina, acredito mesmo nesse caminho, embora a ternura física me esteja hoje em dia completamente vedada por razões óbvias.
De facto, há muita inveja sim, em todo o lado, e disfarça-se com as roupagens mais diferentes: com a da justiça ("se eu não tenho, porque é que ele há-de ter?"), a do humor, a da informação, etc, etc. É triste.

18/9/05 15:54  
Blogger Rui said...

ic, este é realmente um ponto muito importante, principalmente na Matemática de que sou professor. Eu tenho tendência a não ter muita paciência para a incompreensão persistente e opaca por parte de um(a) aluno(a): tenho medo da minha possível incapacidade de explicar. Eles dizem que eu explico bem, mas mesmo assim acho que infelizmente "perco" alguns alunos todos os anos por causa disto.
O problema não é dos alunos (eu falo pouco e ponho-os a trabalhar muito e a pares, enquanto ando por entre as carteiras, o que facilita as perguntas de dúvidas nos alunos), mas meu principalmente. Todos os anos luto para conseguir melhorar.
Obrigado pelas ideias e a oportunidade de reflexão.

18/9/05 16:07  
Blogger IC said...

Rui, eu também "perco" alguns alunos (e não acredito que haja professor a quem isso não aconteça) e todos os anos repenso isso e concluo que podia ter feito "mais", mas também acrescento para mim própria que temos limites, quer pessoais, quer face a condições excessivamente difíceis em certas turmas.

18/9/05 17:44  
Blogger AnaCristina said...

A questão do toque, Rui, é muito complicada nos tempos que correm mas eu continuo a achar que é de uma importância primordial.

Vem de longe uma experiência feita com macacos bébes. Após terem sido retirados da mãe biológica, passaram a ter uma estrutura metálica e fria como fonte de alimento por biberão e ao lado foi colocada uma estrutura semelhante sem biberão e coberta por algodão e materiais quentes e suaves. Teoricamente, esperava-se que o macaquinho considerasse mãe adoptiva a estrutura que fornecia o alimento mas tal não aconteceu. O macaquinho ia alimentar-se à estrutura metálica mas aconchegava-se e passava a maior parte do tempo no "conforto" da outra estrutura.

Isto tudo para quê? Os nossos meninos, às vezes, só tem estruturas metálicas como pais e fontes de alimento!!

19/9/05 01:28  
Blogger casimiro said...

Ao contrário da conversa habitual da geração dos meus pais de "antigamente é que era bom", felizmente que nos nossos tempos, a educação das crianças tem como pilar fundamental o amor, cuidado, ou qualquer outra expressão que queiram utilizar com idêntico sentido.

casimiro
http://mentes-in-quietas.blogspot.com

29/9/05 02:49  

Enviar um comentário

<< Home