sábado, abril 15, 2006

Alunos com NEE's: sempre na escola pública!

Sobre a questão dos maus tratos tenho escrito muito no meu blog Onde Mudar nestes últimos dias.
Aqui registo um outro aspecto.
Sempre fui a favor de nunca mandar alunos com deficiências para instituições especializadas privadas.
Em muitas, elas são negligenciadas e maltratadas (e, mesmo quando isso não acontece, recebem apenas a influência de miúdos em iguais condições).
Nem o mítico "mercado", nem a pressão dos privados exercem aqui qualquer efeito fiscalizador.
Como o demonstra à saciedade este caso do acórdão: tratava-se de uma instituição privada de quem se esperaria uma especial sensibilidade para o problema destas crianças: a Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental.
Não, estas crianças TÊM de estar numa escola pública, não só porque aí ficam sempre garantidas condições minimamente humanas, mas também porque ela é a única instituição que está sempre sob o permanente controlo quer do Estado quer do público em geral.
Deixadas no privado é abrir a porta à barbárie!

25 Comments:

Blogger 3za said...

Desde que na minha anterior escola acolhemos turmas com alunos da APPACDM, estive sempre ligada a elas (muito mais com o coração do que com a experência, que foi crescendo ao longo dos anos). No primeiro ano não foi fácil, mas foi o ano de todos os crescimentos. Convenci uma mãe professora a deixar o Zé (autista) frequentar as aulas de Matemática junto com os seus amigos da APPACDM). Falamos de uma escola sem condições, pavilhões degradados onde só o amor tudo salvava. O saldo final foi excelente e a mãe em causa ainda hoje fala da experiência e do bem que fez ao filho aquela passagem pela Luísa Todi em Setúbal. Dizia que o "colinho" e amor/entrega em que éramos peritos vencia todas as dificuldades, a falta de experiência, a falta de recursos.
Sim, tal como tu Rui, defendo a presença destas crianças na escola pública por todas as razões e mais algumas. Todos ganhamos. Todos crescemos dentro da Escola. E acredito que elas são mais felizes assim. É preciso aprender a conviver com a diferença e, todos, mas mesmo todos nós, somos diferentes e únicos.

18/4/06 11:26  
Blogger Rui said...

Eu gosto da presença deles. Há no seu desajustamento às regras um perfume a liberdade que nao encontro mesmo no miúdo mais rebelde (adoro visitas de estudo com estes miúdos).
Mas confesso que não sei como lidar e me relacionar com eles. Então, como os vejo a andar pelo mundo com infinitas mais dificuldades do que eu, sinto um enorme respeito por eles e trato-os com toda a afectividade que consigo pôr na relação.
Fico perplexo e orgulhoso por alguns deles, pelo menos, gostarem de mim.
Obrigado, Teresa.

18/4/06 19:05  
Anonymous Ana Psília said...

Já sabes a minha opinião sobre o assunto, feroz defensora da integração na escola pública. Lamento é que muitas vezes esse trabalho seja desacreditado por aqueles que acham que a integração é boa mas nas turmas dos outros, que adaptações curriculares são aquelas chatisses que os professores de apoio inventam e por diante.
Foram propostas a professores várias visitas a instituições de deficientes para que verificassem a realidade de funcionamento. Sabes quantas inscrições tivemos??? Zero!!! Cancelámos todas as visitas. Sem Comentários!!

19/4/06 19:24  
Blogger Rui said...

Sim, eu lembro-me de ver o convite para essas visitas. Não falo pelos outros. Por mim, sei que andava absolutamente esgotado e desesperado com os alunos a não estudarem por mais que eu me esforçasse nas aulas (não, isto não é um chavão! Hoje, a minha direccção de turma, quando eu lhes perguntei qual a razão do descalabro, disse que pura e simplesmente não tinha estudado; apenas um disse que sim, não tinha estudado, mas que a culpa era dos professores, os outros assumiram essa responsabilidade... mesmo sabendo, porque eu disse, que ia falar sobre isso com os pais!).
Nessa altura eu não vinha à net, quando vinha apagava os mails sem os ver de desespero, não escrevia nem no comentários nem nos meus blogs, porque estava completamente esgotado com o trabalho que me foi atribuído este ano! Disponibilidade para ir a visitas, fossem elas quais fossem? Não fui a nenhuma (excepto as de estudo em que tinha mesmo de ir).

19/4/06 20:02  
Blogger The LBug said...

Pois eu, lamento, mas...

...sou completamente politicamente incorrecta!

Eu NÃO SEI lidar com determinadas deficiências nem, TÃO POUCO, acho que (todas elas) devam ter lugar assegurado em escolas públicas!

Tudo isto que se disse fica mesmo MUITO BEM dizer! "Lidar com as diferenças", "crescer com elas", "haver um perfume de liberdade no seu desajustamento às regras",...

No entanto, na realidade, não é bem assim que as coisas funcionam! Pois a maioria das escolas públicas (e eu incluo aquela onde lecciono) que recebem alunos com deficiências, NÃO TÊM condições físicas para os receber nem, tão pouco, pessoal especializado e/ou habilitado para o fazer!


"Tapa-se o Sol com a peneira", isso sim!

A integração destas crianças nas escolas públicas, quanto a mim, não passa de uma medida meramente economicista e que DESRESPEITA TOTALMENTE essas tais diferenças!

São crianças e, se todas merecem ser respeitadas, estas MAIS AINDA porque têm limitações que as vão acompanhar para o resto da vida, que merecem atenções especiais! Dedicações especiais, cuidados especiais e atenções especiais!

A escola é suposto ser um local onde TODA E QUALQUER criança se sinta segura e confortável. Digo que é suposto ser, porque na realidade NÃO O É! Nem para as crianças sem qualquer tipo de deficiência! Apenas o que se passa é que, destas, aquelas que são suficientemente estruturadas como pessoas, são as que conseguem passar pela escola de uma maneira incólume. Todas as outras, não! E mais ainda as que são portadoras de deficiências!

E não me venham cá com a história da socialização! Porque também não considero que seja por aí!...

Agora vejamos o reverso da medalha: somos um país "da treta", onde se "despejam" crianças com deficiências nas escolas públicas porque não se investe nem um cêntimo na Educação! E eu acho que a EDUCAÇÃO também deveria incluir as pessoas com deficiências! Mas, lamentavelmente, estas darão muito pouco retorno ao estado pois, para elas, quando há, são (só) empregos (demasiado) precários!

Chegámos, então, à questão das instituições (ditas) especializadas!

Sendo o bem-estar destas crianças o que, para mim, deveria ser a prioridade a salvaguardar, não deveria ser OBRIGAÇÃO de TODOS NÓS exigir investimento nessas instituições??? Para que, finalmente, se possa ir de encontro às suas necessidades e de forma eficaz e, agora sim, contributiva para o seu crescimento numa sociedade em que raramente há lugar para (este tipo de) diferenças???

Ao "comermos e calarmos" temos sido TODOS cúmplices de situações que, em países desenvolvidos, não são mais do que um tipo de "criminalidade a longo prazo"!

Quanto a ti, Ana Psília, "feroz defensora da integração na escola pública", não me parece que possas tecer estas críticas de uma forma tão agressiva e tão gratuita!

Quando um Professor de Apoio chega a um Conselho de Turma para apresentar dados concretos de um aluno com N.E.E.'s para que, de alguma forma e dentro das NOSSAS (também) limitações, possamos chegar a ele e NÃO O SABE fazer, isto não "é um chatice", é INCOMPETÊNCIA!

Quando, depois disto, nos EXIGE adaptações curriculares, isto não "é um chatice", é uma sensação de pânico e de frustração por sentirmos que vamos ter que andar durante um tempo "às apalpadelas", no que respeita a esse tal aluno!

Quando um Professor de Apoio é NOMINALMENTE convocado para uma reunião E NÃO COMPARECE, enviando outro em sua representação, isto não "é uma chatice", é IRRESPONSABILIDADE!

E, para finalizar, quando uma ciança do 5º Ano (por exemplo) tem que assistir diariamente à masturbação, em plena sala de aula, de alunos com deficiências que não sabem gerir a sua sexualidade, isto não "é uma chatice", é uma realidade TRAUMATIZANTE!

Quando uma criança do mesmo 5º ano teme pela sua integridade física porque uma aluno com deficiência acabou de ter mais uma crise, implicando um acesso de raiva e agressividade em que atira com mesas e cadeiras a tudo e a todos, isto não "é uma chatice", é uma realidade ATERRADORA!

Quando uma Auxiliar de Acção Educativa leva com pensos higiénicos SUJOS de menstruação na cara, isto não "é uma chatice", é uma realidade TRISTE e DEGRADANTE!

Quando se ouve contar isto tudo em casa, na qualidade de Encarregado de Educação, isto não "é uma chatice", é REVOLTANTE!

"feroz defensora da integração na escola pública"???

Onde é que puseste os teus filhos a estudar?

Alguma vez foram sujeitos a situações como as que relatei (e que sabes bem melhor do que eu, que acontecem MESMO) porque tinham na sua turma uma criança com N.E.E.'s, com comportamentos "diferentes"?

E criticas com tanta ligeireza "aqueles que acham que a integração é boa mas nas turmas dos outros"?


Pois eu, lamento, mas...

...sou completamente politicamente incorrecta!

Porque, se calhar sou das poucas que tenho coragem suficiente para o ser e "chamar os bois pelos nomes"!

Ou se calhar, até tenho razão...

;o) The LBug

21/4/06 20:04  
Anonymous Ana Psília said...

Querida J.
O que dizes não tem a ver com o seres politicamente correcta ou incorrecta, mas sim com o seres amargamente critica de tudo o que te rodeia. Lamento.

21/4/06 21:11  
Anonymous drladybug said...

Parafraseando-te:

"Sem Comentários!!" para esta resposta!

Conhecendo-te como (julgo) que te conheço e tendo-te em conta como uma pessoa inteligente, esperava mais e melhor de ti!...

Até porque apenas referi algumas das situações (infelizmente) reais que me permitem ter uma opinião contrária mas que, nem por isso, implica desrespeito, desconsideração ou falta de solidaridade para com os deficientes.

Deveria ter referido mais?

Deverão ser mantidas no "segredo dos Deuses" por serem incómodas?

Acho que não há como respeitar as tais diferenças e lidar com elas quando apenas "brincamos" ao "faz-de-conta" que elas não existem!

Mas acredito que esta tua reacção tenha sido apenas motivada pelo cansaço natural que todos sentem em qualquer sexta-feira!...

;o) The LBug

21/4/06 22:04  
Blogger Rui said...

É verdade que a realidade da integração de alunos com NEE´s nas turmas ditas normais (que também cada vez o são menos, é certo) não é uma realidade bonita.

Numa turma de 3º ciclo com 22 alunos, dos quais 4 são NEE´s e, destes, 3 são casos muito, muito complicados, o que é que o professor faz, ou consegue fazer? Principalmente, ao saber que depois vai é ser "avaliado" pelos resultados que a turma tiver nos exames nacionais?

E, para completar este triste quadro, quando cada professora do ensino especial tem à sua responsabilidade mais de 20 alunos com NEE?

Não, a realidade não é nada bonita. E, sim, andamos a tapar o sol com peneiras, isto é, a fingir que integramos alunos com NEE's, e aí a LBug tem razão.

Eu não acredito é que haja ou possa vir a haver uma alternativa melhor para estes miúdos, como o demonstra este caso de Setúbal.
O sistema na escola pública é mau? É. Pode ser melhor fora dela? Aqui em Portugal, onde não há grande consideração nem pelas crianças ditas normais, não acredito de todo que possa.

(Isto não tem a ver com o assunto e discussão, mas já agora desabafo: Quando no meio de uma aula pergunto a um daqueles alunos o que é que ele gostava de fazer, para ele se entreter porque eu não consigo dar-lhe atenção e ele não percebe nada do que se está a passar na aula, e ele me responde com o olhar triste: oh, setôr, eu gostava era de brincar..., fico mudo de mágoa.)

21/4/06 23:18  
Anonymous The LBug said...

Quase tudo o que disseste, Rui, só me vem dar razão:

"Numa turma de 3º ciclo com 22 alunos, dos quais 4 são NEE´s e, destes, 3 são casos muito, muito complicados..." - estarei enganada se disser que esta situação ultrapassa a legislação??? (Julgo que não!)

"cada professora do ensino especial tem à sua responsabilidade mais de 20 alunos com NEE" - eu quando me proponho a fazer um trabalho, seja ele de que tipo fôr, se me apercebo de que afinal não sou capaz de o fazer, quer por limitações minhas, quer por questões exteriores a mim, sou suficientemente honesta para o admitir e retrocedo. É o que vês acontecer com estes professores? (Também julgo que não!)

Quanto à questão da avaliação a que está sujeito um professor curricular que tu referiste, julgo que esta também está a ser estendida aos professores de apoio. De outra forma, não se justifica a existência de concursos (facultativa este ano, por ser a primeira vez; obrigatória para futuro)...

Neste caso, está a falar-se em habilitações, certo? (aqui, fala-se de uma questão cabeluda... Mas eu não o vou fazer...Ups!)

"Eu não acredito é que haja ou possa vir a haver uma alternativa melhor para estes miúdos..." - pois eu acredito! E só tenho pena que a maioria, tal como tu, se tenha resignado... Tal como eu disse, num dos comentários anteriores, sendo o bem-estar destas crianças o que, para mim, deveria ser a prioridade a salvaguardar, deveria ser OBRIGAÇÃO de TODOS NÓS exigir investimento nessas instituições!!! Para que, finalmente, se possa ir de encontro às suas necessidades e de forma eficaz e, agora sim, contributiva para o seu crescimento numa sociedade em que raramente há lugar para (este tipo de) diferenças! Ao "comermos e calarmos" temos sido TODOS cúmplices de situações que, em países desenvolvidos, não são mais do que um tipo de "criminalidade a longo prazo"!

Finalmente, em relação ao teu desabafo,...

...tu és dos poucos que é capaz de admitir (o que se compreende, porque implica ser suficientemente honesto, pôr o orgulho de lado e admitir o falhanço) que não consegue dar a atenção que este(s) aluno(s) precisa(m) e a aula que tu estás a tentar dar não lhe(s) diz nada!

Mas quantos ouves dizerem o mesmo??? Para além de mim, acho que muito poucos! Há mais quem sinta o mesmo, mas CALAM-SE!!!

Ora, tal como eu comecei por dizer no início desta discussão, sou completamente politicamente incorrecta mas...

...eu não me propus ensiná-los e não o sei fazer! Mas quem se propôs, também não o sabe fazer, tal como eu!

;o) The LBug

22/4/06 14:22  
Anonymous AA said...

Cara LBug
As crianças e jovens c NEE não deixam de ter crisesv nas aulas ou de atirar objectos menos próprios a outrém só porque estão numa instituição. Acontece é que nõs (os normais que estamos o mundo normal) não o vemos
As crianças e jovens com NEE com dificuldades em gerir a sua sexualidade não deixam de se masturbar em locais menos próprios porque estão numa instituição especializada. Acontece é que nós - os normais que vivemos no mundo normal - não os vemos
As crianças e jovens que vivem em instituições especializadas é suposto que depois transitem para um mundo especializado onde nós - os normais - e os nossos filhos não teremos de nos cruzar com eles, compreender as suas limitações, tolerar os eus comportamentos menos adequados, ajudá-los a sentirem-se também parte desta humanidade de que mau grado as nossas próprias insuficiências nós - os normais - queremos estar

24/4/06 21:57  
Anonymous Anónimo said...

LBug

Estou completamente em desacordo consigo.
Se há muitas medidas economicistas, esta da integração não é certamente.
Após a 2ª guerra mundial surgem os primeiros conceitos de igualdade de oportunidades, direito à diferença, justiça social e solidariedade nas novas concepções juridico-políticas, filosóficas e sociais de organizações como a ONU, a Unesco,a OCDE e outras passando as pessoas com deficiência a terem direitos à participação na vida social e consequentemente à sua integração escolar e profissional.
Portanto isto já lá vão alguns anos e por isso vários estudos foram já realizados das vantagens e desvantagens da integração.


Benefícios para as pessoas deficientes:
-modelos adequados nos colegas;
-assistência por parte dos colegas;
-a criança cresce e aprende a viver em ambientes integrados.

Benefícios para os ditos normais
-a melhor forma de aprenderem a sensibilidade para as diferenças individuais;
-oportunidade para praticar e partilhar as aprendizagens;
-diminuição da ansiedade face aos fracassos ou insucessos.

Benefícios para TODOS
-Compreensão e Aceitação dos outros;
-Respeito por todas as pessoas;
-Construção de uma sociedade Solidária;
-Desenvolvimento de projectos de amizade;
-Preparação para uma sociedade de suporte e de apoio.

Infelizmente por vezes nas escolas ainda há professores que teimosamente não querem aprender a respeitar as diferenças e que teimosamente tendem a época medievalista. Que exemplos darão estes aos seus alunos??
Mas felizmente muitos há que já nem falam em integração e sim em inclusão porque de facto após o nascimento fazemos todos parte da mesma sociedade e não precisamos de ser integrados.

Quanto às condições físicas das escolas são péssimas para Todos porque cada vez estão mais desajustadas para todos.

O problema que foca dos professores não especializados, penso ser resolvido no próximo ano lectivo com a abertura do quadro de educação especial pois, só entrarão os com formação. No entanto as escolas irão ter menos recursos, devido às vagas existentes.

Quanto à avaliação dos professores esta vem mencionada no estatuto da carreira docente e esta é para TODOS os professores e é realizada da mesma forma. Não há nenhum decreto específico para os professores de educação especial.

Mas há um ponto em que estou de acordo consigo é que realmente se tem investido muito pouco em Educação neste País.

Eu sou e serei sempre alguém que defende a liberdade de cada um e sou a favor do ensino público e privado para Todos.
Aos Pais cabe a decisão de escolher a escola para os seus filhos.

E se em pleno sec 21 trabalha numa escola pública e considera que esta não deve ser para Todos, sugiro-lhe que se mude para um daqueles colégios (guetos) onde só são admitidos certos alunos.

VIVA A LIBERDADE VIVA O 25 de ABRIL

25/4/06 02:21  
Anonymous Anónimo said...

LBug

Estou muito admirado de na sua escola os professores dos apoios exigirem as adaptações curriculares; é que na minha quem o exige é o Ministério da Educação.
Ou será que os professores dos apoios lembram os colegas dessa lacuna???
É que a responsabilidade das adaptações é do professor da disciplina e se aparece uma inspecção???

25/4/06 02:31  
Anonymous Ana Psília said...

Felizmente existem outras pessoas que partilham dos meus ideais, e que tão bem o expressam já que eu não consigo, Talvez... devido ao cansaço de Sexta-feira, Talvez... devido a outros cansaços mais permanentes mas que para aqui não interessam nada.

Talvez... noutras escolas os professores de apoio sejam "ainda mais especializados" já que a especialização dos da minha escola parece não bastar.

Talvez... os meninos de outras escolas tenham menos NEEs, uma vez que os da minha escola parecem ser insustentáveis.

Talvez... devessemos reunir os pais destes meninos ( Maria, Paula, Teresa, João) , sim porque eles também têm nome e também têm pais e dizer-lhes que são prejudiciais para os outros alunos e que os deveriam esconder numa qualquer instituição "especializada" para que os meninos "normais" nâo fiquem traumatizados.

Talvez....


Talvez....

25/4/06 14:05  
Anonymous drladybug said...

Ok!

Vou tentar responder a um de cada vez:

(mesmo aos "anónimos" que vêm aqui comentar e que não se identificam... também esses serão bem recebidos e terão direito a resposta, apesar da pouca credibilidade que se dá a um comentário anónimo! Anónimo,... vale por isso mesmo!!!)

AA:

Tudo isso é verdade, mas não foi bem isso que eu disse!

Faça um scroll-up e (re)leia as minhas palavras!...

Não há lá nada que lhe permita inferir que eu sou de opinião que tais crianças e jovens devam permanecer "escondidos" para que não tenhamos que conviver com eles ou com os seus comportamentos!

Isso é uma forma muito básica, limitada e superficial de encarar a questão!

O que eu disse foi algo diferente, algo que nos toca a TODOS: temos a OBRIGAÇÃO de EXIGIR, de uma vez por todas investimento na EDUCAÇÃO, que inclui (ou devia incluir) TAMBÉM essas tais instituições!

Para que se possa realmente lidar com tais situações e para que não tenhamos que ler palavras miserabilistas como estas, que eles (crianças e jovens com NEE's), também cidadãos deste país, tão dignos como eu e você, não merecem ouvir!

Enquanto houver gente que os trate como "coitadinhos" a quem se tem que admitir e tolerar tudo, não poderemos achar, em consciência, de que estamos a contribuir para qualquer tipo de integração numa sociedade em que ninguém se compadece nas alturas em que o deviam fazer.

Enquanto permitirmos que tais PESSOAS (igualmente GENTE, como eu e você) deixem de ter o direito de ter as atenções, cuidados e educação especial que NECESSITAM, colocando-os em sítios onde muito pouco disso lhes é proporcionado, estamos a permitir esta desresponsabilização TOTAL dos governos, que levam a situações como a referida pelo Rui (caso de Setúbal). Porque aí, sim, continuarão a ser locais escondidos onde a desgraça, os abusos e a trsteza destas crianças vão continuar!

Anónimo:

É claro que o seu discurso do primeiro comentário é muito NOBRE até uma determinada altura! Concordo com tudo o que diz e a minha opinião em nada contradiz o que afirma! Você só a corrobora e dá-me razão com as suas palavras!

Tal como acabei de dizer a "AA", temos a OBRIGAÇÃO de EXIGIR, de uma vez por todas investimento na EDUCAÇÃO, que inclui (ou devia incluir) TAMBÉM essas tais instituições que deveriam ser de inclusão e não de integração (como afirma e muitíssimo bem)!

Só a última parte daquilo que diz é que é uma realidade que me choca: os poucos pais que podem ter a liberdade (porque aqui estamos a falar de dinheiro) de optar entre colocar os seus filhos em escolas públicas ou privadas, preferem investir em colégios privados. Destes, uma grande maioria são professores em escolas públicas.

Deixo-lhe 2 questões:

- Porque será?
- Algum destes pais fará algum dia a opção de, em vez de contribuir para os tais "guetos", contribuir (nem que fosse com metade da mensalidade que pagam) para melhorar UMA que fosse dessas tais instituições?

Quanto a seu segundo comentário, se ficou "no ar" que eu me incomodo com o facto de ter que fazer tais adaptações curriculares, então...

... peço mil desculpas mas não é nada disso que me incomoda!

O que me incomoda IMENSO é que, ao fim de três anos (no mínimo) de se estar a lidar com um aluno com NEE's (tal como acontece com os Professores de Apoio), não se saiba ainda dizer de forma CONCRETA, CLARA e OBJECTIVA quais são as necessidades especiais de aprendizagem e quais são as suas limitações, para que os Professores Curriculares possam então fazer as adaptações curriculares DEVIDAS e EFICAZES para o sucesso e progressão destes alunos.

Incomoda-me MUITO MAIS, saber que, enquanto ando "às apalpadelas" com este(s) aluno(s), o(s) único(s) prejudicado(s) é(são) o(s) aluno(s). Mesmo que eu consiga fazer aquilo que outros não fizeram e em tempo que terá que ser "tempo-record"!

Isto já para não referir que, obviamente, também me incomoda a (falta de) responsabilização... Pois, no final da linha, tal como diz e muito bem, está o Professor Curricular, mais uma vez na berlinda!...

Ana Psília:

Para ti, já que não estás inspirada para uma contra-argumentação com pés e cabeça, apenas te aconselho a que faças uma avaliação à situação escolar de alunos com NEE's, progressão de alunos com NEE's, realização de aprendizagens de alunos com NEE's e existência de Apoios eficazes na tua escola! (Se calhar, eu devia relembrar que os alunos avaliados ao abrigo do DEC-Lei nº 319/91, com NEE's, não são só os deficientes mentais profundos... se calhar eu devia relembrar que as tais adaptações curriculares, por lei, não podem "esquecer" os Programas definidos para o E.B.... se calhar eu devia relembrar a mensagem que é lida nas entrelinhas por um aluno que passa a ser avaliado ao abrigo deste Dec-Lei...se calhar eu devia relembrar outras coisas, mas...)

Ou, se calhar, os resultados dos exames (que, estupidamente, também passaram a ser obrigatórios para a maioria destes alunos) irão falar mais alto??? Se assim for, a resposta que te irão dar, se calhar, não irá ser aquela que queres ouvir! Se for, tanto melhor...

;o) The LBug

25/4/06 19:45  
Anonymous Ana Psília said...

LBug:
Só há uma coisa que eu gostaria que tu fizesses. Tomar conhecimento ou visitar as referidas instituições para na realidade saberes do que estás a falar, porque é fácil falar de cor.

25/4/06 20:54  
Anonymous Ana Psília said...

Mas numa coisa estou de acordo contigo, a pertinência dos exames nacionais para a mioria destes alunos é para mim uma incógnita

25/4/06 21:09  
Anonymous drladybug said...

Pois...

... por isso mesmo, é que eu defendo que a Escola devia ser MESMO para TODOS e não "tudo a monte e fé em Deus" numa escola única, não um local de Faz-de-conta onde apenas comprometemos e acabamos por liquidar as (poucas) capacidades de alguns!

Por iso é que eu acho que, em vez de pactuarmos com as situações degradantes que existem, com o nosso silêncio, submissão e permissividade, deveria ser OBRIGAÇÃO de TODOS NÓS exigir investimento nessas instituições! Porque EDUCAÇÃO, quanto a mim, também as inclui! (Provavelmente, é um dos sítios onde a EDUCAÇÃO anda de mãos dadas com a SAÚDE - dois pólos de IMENSO investimento, não são? Porque o retorno, quando existe, é "curto" e a um prazo muito mais longo do que o longo prazo!!! E depois, há quem ainda ache que não é meramente economicista... e acham que as grandes parangonas das filosofias, as frases feitas belíssimas, servem como justificação!)

Na verdade, estamos num país da treta, onde todo e qualquer Chico-Esperto, que dá a volta ao esquema, é que é o Rei! E, por isso, só temos aquilo que merecemos! Investimentos na base (Educação, Saúde, Justiça e Segurança): 0!!!

Para somar a tudo isto ainda temos os oportunistas que não querem nem sabem ser "lobos", mas dá-lhes jeito vestir a sua "pele"!

Não me parece que, na maioria dos casos, a escolha de ser "Professor de Apoio" tenha sido por grande amor ou dedicação à causa! Há excepções, pois há... mas, se falarmos nelas, também não me parece que os casos excepcionais de alunos nestas condições, com verdadeiro sucesso, o possam dever ao investimento do pessoal (teoricamente) especializado que se encontra nas escolas! O que se passou, foi que entrou (mais) uma variável que teimam em esquecer ou a desresponsabilizar: a família!

De tudo o que aqui tem sido escrito, ainda nada foi dito que contrariasse a minha leitura da situação, de modo a que eu pudesse achar que estou errada!

E é uma pena!... Porque, para bem dessas crianças e jovens, eu gostava mesmo de estar enganada!!!

;o) The LBug

25/4/06 22:16  
Anonymous AA said...

Cara Lbug
Bem vinda ao grupo dos que se preocupam com TODAS as crianças e especialmente com aquelas que mais precisam do nosso envolvimento pessoal. Quando a tarefa é tão difícl como a amiga acaba de diagnosticar todos os braços são poucos. Só que adianta pouco atirar pedras para todo o lado, exigindo aquilo que já todos gostaríamos que estivesse feito. Quando a nossa preocupação é tão genuína como a sua se revela há que ter em conta que os que nos rodeiam não são necessariamente todos broncos, oportunistas e incompetentes à espera de alguém que lhe puxe as orelhas e os ponha a ferros. Talvez um esforço de humildade nos faça reconhecer que há outras pessoas pelo menos tão honestas como nós,que tentam diariamente dar o seu melhor para que as crianças tenham a melhor resposta possível, tal como LBug faz, decerto, na sua actividade profissional. O facto de os resultados ficarem aquém das metas só constitui uma chamada de atenção paea que aprimoremos a qualidade do trabalho. Decerto que o mesmo se passa consigo.
Quanto às vantagens da educação de TODAS as crianças ocorrer num ambiente não segragado e de quaidade penso que a Lbug já foi suficientemehte elucidada. Agora quanto a exigir ao ME, aos CE's, aos Drs. de qualquer coisa ou a outras entidades que façam o seu dever, parece-me correcto, não esquecendo que,enquanto exigimos e esperamos que nos obedeçam as crianças crescem e rapidamente fica fora de prazo a intervenção útil. Por isso, a par dessas exigências demos as mãos e façamos o que de útil está ao nosso alcance enquanto é tempo. Diz o povo "Quem quer faz...quem não quer manda".
Só mais uma coisa. Apesar das dificuldades,estas crianças não nasceram para sofrer, nem nós.Tentemos encarar os desafios com bom ânimo contribuindo para um ambiente emocionalmente saudável poque nem as crianças com NEE nem as mais equilibradas resistem a adultos zangados, de mal com a vida e que se sentem,sozinhos,os senhores de toda a razão.
Bem haja pela cooperação que possa vir a dar a uma tão nobre causa.

25/4/06 23:20  
Anonymous olá said...

LBug
Peço desculpa se incomodei ter entrado como anónimo, porque para mim num espaço net qualquer nome poderá ser fictício e funcionar de igual forma como a palavra anónimo.
Quanto às questões que me coloca passarei a tentar responder.
Não sei se a maioria dos professores têm os filhos em colégios privados, pois conheço muitos que os têm no público, como também não sei quais as motivações que os levam a optar por um tipo de ensino, mas acredito que as motivações serão diferentes.
É evidente que em qualquer opção pesa a questão financeira.

26/4/06 01:01  
Anonymous The LBug said...

Novamente dois comentários e em nenhum há uma contra-argumentação com (algum) conteúdo que me faça pensar que estou enganada, mas...

... cá vão as respostas:

AA:

Lamento, mas se me está a dar as boas vindas a um grupo onde se julga (também) incluir,... ESQUEÇA!!!

Não pertenço a grupo nenhum nem, tão pouco, ao seu, uma vez que não o/a conheço de lado nenhum e já vi que nada tenho em comum consigo!

Também, amiga sua,... não me parece! De todo!!! Os amigos, (Graças a Deus) podemos escolher! (E eu, que me lembre, não tenho aqui nada que me permita sequer identificá-lo/a...).

Quanto ao resto do seu comentário...

... não tente tirar ilações sobre o que eu sou ou deixo de ser, quer como pessoa, quer como profissional, porque não me parece que tenha capacidade para o fazer.

Por outro lado, no meio da sua maldade e da sua pequenez, não tente dar outro(s) significado(s) às minhas opiniões nem tente colocar palavras (que eu NÃO proferi) no meu discurso!

Se há aqui alguém que aparenta estar de mal com a vida, é você! Tão mal, que esse seu evidente complexo de inferioridade lhe permite chegar aqui, sem ser convidada e agredir outros! E apenas pelo simples facto de manifestarem opiniões divergentes da sua!

Em vez de tentar este caminho, seja um pouco mais inteligente e tente arranjar argumentos realmente válidos para me convencer de que estou errada!...

Eu até podia ter dito tudo isto de uma forma menos desagradável e mais subtil, mas... você não iria entender! Com este seu último comentário, apenas conseguiu demonstrar a quem perder tempo (literalmente) a lê-lo que a grandeza da sua maldade é igual à das suas limitações e, portanto, nem subtil você consegue ser!...

Anónimo (aka Olá):

Tentar responder às uas questões que lhe coloquei... lá, isso, não há dúvida que tentou!

Mas, infelizmente, nem a apenas uma delas conseguiu!...

Tente novamente!...

(Insista, insista, insista...)

Para tal, aconselho-a a reler o que eu escrevi! Que tal? Parece-lhe bem?

;o) The LBug

26/4/06 19:43  
Anonymous The LBug said...

Ups...

Onde se lê:

"Tentar responder às uas questões..."

Deve ler-se:

"Tentar responder às duas questões..."

;o) The LBug

26/4/06 19:45  
Anonymous AA said...

Cara Lbug
Um discurso assim tão ácido indicia uma situação séria. Talvez seja altura de procurar respostas numa instituição especializada.

26/4/06 23:21  
Anonymous the lbug said...

Claro, AA!

Tudo aquilo que você quiser!...

(Continuo estupefacta com os seus brilhantes comentários, cheios de conteúdo e verdadeiramente reveladores da grande inteligência que você deve possuir, bem como do seu nível de educação!...)

llloooolllll

Já lhe disseram que você tresanda a ressabiamentos e frustrações?
Veja se se enxerga!!!

llloooolllll

;o) The LBug

27/4/06 16:38  
Anonymous Anónimo said...

Não, estas crianças TÊM de estar numa escola pública, não só porque aí ficam sempre garantidas condições minimamente humanas, mas também porque ela é a única instituição que está sempre sob o permanente controlo quer do Estado quer do público em geral.
----------------------------------
Pois. O problemazito são as Casas Pias.
Como diria a outra, enxerguem-se.

2/5/06 00:29  
Anonymous Anónimo said...

eu xou a burbuleta.
quando me falaram k existia isto nem quiz acreditar. tive k bir ver.
pençava k eram todus amigos.
xim, purque eu vus cunhesso.
bamos pra férias e ós depois com a cabessa mais fria... logu se bê.

14/7/06 00:04  

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